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HISTÓRIA CLÍNICA 4 PORTUGUÉS - LUPUS ERITOMATOS (PARTE 1)

HISTÓRIA CLÍNICA: Nº 4

LUPUS ERITEMATOSO

HISTÓRIA CLÍNICA OCIDENTAL

FICHA E DADOS DE FILIAÇÃO:

A. H. mulher de 32 anos.

MOTIVO DA CONSULTA:

Lúpus Eritematoso diagnosticado há 3 anos, com diversas fases evolutivas.

ANTECEDENTES FAMILIARES:

Nada relevante.

ANTECEDENTES PESSOAIS:

Cirúrgicos: parto cesárea e artroscopia no ombro.

ENFERMIDADE ATUAL:

Lúpus Eritematoso.

INFORMES TÉCNICOS (Radiológicos, analíticos, etc.):

Apresenta diversos informes clínicos por parte de seus especialistas.

TRATAMENTO ATUAL:

O tratamento segue os protocolos habituais deste tipo de enfermidade: corticosteroides, imunosupressores, durante os surtos severos anti-inflamatórios não esteroides (AINE), antipalúdicos (hidroxicloroquina) e em última instância substâncias citotóxicas (metotrexate), distribuídos segundo as diversas fases e crises padecidas pela enferma.

OBSERVAÇÕES:

Os maiores agentes de risco nesta enfermidade se associam a:

Ø  Fatores Exógenos (raios UVA, agentes infecciosos, implantes e cosméticos).

Ø Fatores Exógeno-Endógenos (estrógenos-anovulatórios, antibióticos, antidepressivos).

Ø  Fatores Endógenos (Predisposição congênita e sobretudo fatores emocionais).   

 

HISTÓRIA CLÍNICA ACUPUNTURAL     

YI SHI WANG

SEMIOLOGIA  

2 – SÍNTESE DA HISTÓRIA CLÍNICA

OS 4 ELEMENTOS DE DIAGNÓSTICO (SHI-ZHENG).

A) INSPEÇÃO E OBSERVAÇÃO.

A1) Estado neuropsíquico e coordenação motora: Alterações da sensibilidade e do tônus musculares com parestesias e dor músculo-articular durante as crises.

A2) Estado emocional: Atualmente se encontra relativamente equilibrada.

A3) Tez, olhos, língua e tecidos: Não são observados nesta fase atual transtornos músculo-tendino-articulares relacionados com os surtos agudos. Língua sem saburra e com marcas de dentes nas laterais.

A4) Aspecto, porte e postura: Normal

B) AUDIÇÃO E OLFATO: Diminuição do paladar, olfato e audição.

B1) Tom de voz: N.R.

B2) Tônus cardiorrespiratório: N.R.

B3) Odor corporal e hálito: N.R.

C) INTERROGATÓRIO: (As 30 perguntas básicas). 

C1) Shen e personalidade essencial: Situação laboral estressante, nenhuma relação afetiva, nenhuma dependência de drogas. Ao teste de personalidade responde, sem duvidar, que é personalidade HOUN (imaginativa, audaz, competitiva e está atualmente em XIE HOUN (irritável, irascível).

C2) Sinais prodrômicos e evolutivos: A enfermidade iniciou as crises há três anos e a relaciona com um problema sentimental com seu ex-marido que durou três anos de forte enfrentamento e sofrimento moral. Manifesta desde a infância transtornos gástricos, cistite (recidivante ao frio), muito friorenta, amenorreia provocada por mecanismo anticonceptivo. Muito sensível ao frio desde jovem. Muito lábil emocionalmente com fases bipolares de comportamento emocional (menina-mulher), com tendência a ansiedade Yin (conservação). Esgotamento vespertino ou noturno.

C3) Tipo de alimentação: Dieta, restrição voluntária de hidratos de carbono e lácteos.

C4) Períodos de crise: Seu melhor momento é pela manhã.

C5) Cefaleias: Frequente cefaleia migranosa com componente cervical.

C6) Agente climatológico incidente: Muito sensível ao frio climático.

C7) Frio-Calor: Hipotérmica, custa a se aquecer. 

C8) Sudoraçao: Nao apresenta sinais de dudorese.

C9) Sede e Fome: Falta de apetite, preferência por bebida a temperatura ambiente.

C10) Secura e febre: Secura na extremidade cefálica sobretudo em ouvidos e olhos.

C11) Algias, parestesias, dor e contraturas: Dores próprias do quadro nos episódios agudos ou nas crises.

C12) Pele e unhas: Não apresenta alterações nas unhas.

C13) Humores: N.R. 

C14) Urina: N.R.

C15) Fezes: N.R.

C16) Edemas e depósitos: N.R.                  

C17) Gastrointestinal: Disfunções gástricas muito frequentes, com dispepsia, anorexia, gastralgia, etc.

C18) Geniturinário: N.R. Parto cesárea.

C19) Fluxo e menstruação: Menarca aos 11 anos, dismenorreia frequente até a implantação de dispositivo anticonceptivo.

C20) Sono: Frequentes alterações do sono nas fases de crise embora atualmente relate ter um sono profundo e reparador.             

C21) Coração: Atualmente não apresenta transtornos cardíacos, embora nas fases agudas relata arritmia e opressão.

C22) Otorrino, boca, olhos e lábios: N.R.

C23) Endócrino e metabolismo: Foi diagnosticada com hipotireoidismo na adolescência. Atualmente está normal.

C24) Respiratório: Nao apresenta alteraçoes respiratórias.

C25) Astenia: Quadro astênico generalizado sobretudo vespertino.                       

C26) Fleumas: Não apresenta fleumas aparentes, análise normal nestes parâmetros.      

C27) Sinais de caída: Não há sinais de desequilíbrio alto-baixo.   

C28) Sinais de ascensão: N.R.

C29) Hemorragias: N.R.                             

C30) Sensação de peso ou vazio: N.R.

 

D) PALPAÇÃO.

D1) Pulso: Profundo, débil e rápido.

D2) Anatômica: Tecidos frios, com dor à pressão, sobretudo nas articulações.

D3) Eletrônica: Biomedições com todos os valores abaixo da normalidade, em estado anérgico, exceto F. e R.

 

3 – DIAGNÓSTICO GERAL, DESENVOLVIMENTO

FISIOPATOLÓGICO E CONCLUSAO DIAGNÓSTICA 

OS TRÊS DIAGNÓSTICOS (SAN GANG)

1º DIAGNÓSTICO: DE SITUAÇÃO (JING MAI GANG) (BIOMEDIÇÕES)

Biomedições: todos os valores abaixo da normalidade, em estado anérgico, exceto F. e R.

2º DIAGNÓSTICO:  DE 1ª INTENÇÃO (BA GANG) 

YIN-YANG: Yin

INTERIOR-EXTERIOR: Interior.

FRIO-CALOR: Calor.

VAZIO-PLENITUDE: Vazio. 

 3º DIAGNÓSTICO: DE 2ª INTENÇÃO (BIAN ZHEN GANG) (SINDRÔMICO)

DESENVOLVIMENTO FISIOPATOLÓGICO.

Considerando que tanto o Lúpus quanto a Fibromialgia são muito mais frequentes na mulher, podemos suspeitar da existência de um fator comum relacionado com o eixo JueÝin. (F. e MC.)

       Na Fibromialgia é evidente um estancamento do Qi do F. provocado, com frequência, por um choque agudo (físico ou emocional). Segundo a MTC., o susto estanca o Qi do F. e, quando o estancamento vem associado a um patógeno exógeno de vento-frio (errático e profundo), sem sinais de calor, (nem rubor, nem inflamação) provoca o Bi Pei muscular.

No Lúpus, há um desequilíbrio produzido por fator emocional persistente e insidioso, que acaba esgotando e desorientando o “Pericárdio” (Yin). Como é o F. (Yang) quem toma a iniciativa, este se torna agressivo e potente, na tentativa de proporcionar o dinamismo necessário para a sobrevivência.

No primeiro caso (fibromialgia) se produz uma deficiência de Yang do F.; no segundo (Lúpus) uma plenitude reativa do Yang do F. (por déficit do Yin do Jueyin), com sinais de falso calor (rubor, hipertermia, inflamação...).

Este processo fisiopatológico segue várias fases evolutivas que afetam os três planos Yin, a partir de JUE YIN.  Manifesta-se seguindo QUATRO FASES:

 

1ª FASE – ALTERAÇÃO DO JUEYIN OU FASE PRIMÁRIA. EM PRINCÍPIO COMPROMETE O MC. E EM SEGUIDA O F.

A PLENITUDE REATIVA DO YANG DO F. comporta à médio prazo um vazio de Yin do F., o que conduz a uma deficiência na depuração sanguínea e, portanto, a uma remoção deficiente na hematopoese (o BP. é a quantidade, o F. a qualidade e o R. responde pela forma do sangue), provocando uma deficiente função fagocitária (alterações linfocitárias com aparição de anticorpos).

O MC., esgotado pela contenda emocional, não controla a atividade imune (recorde-se que MC. é o timo virtual do adulto), produzindo-se uma desorientação no sistema imunitário. "O Imperador (C.) está em perigo porque o MC. não controla a segurança do império e dos intrusos que lhe atacam", ele se inquieta aparecendo sinais de taquicardia, arritmia, opressão torácica, etc. Os linfócitos não amadurecem nem se transformam e acabam não reconhecendo o verdadeiro inimigo, arremetendo contra todos os agentes celulares que encontra, provocando a reação autoimune. Esse Yang de Fígado paroxístico, como a força cega de um furacão, provoca síndrome Pei de predomínio Vento-Calor-interno (ver reumatismos SHEN ou de calor interno), provocando dores músculo-tendino-articulares, convulsões, febre, agitação e incluindo psicoses, hepatomegalia com dor hipocondrial e possível falha hepática.

O desequilíbrio de Jueyin (plenitude de F. - vazio de MC) leva à irritabilidade, cefaleia migranosa, fotossensibilidade, etc.

 

2º FASE – ALTERAÇÃO DO TAI YIN INFERIOR (BP.)

O Yang do F. interfere, em primeira instância, de uma maneira direta sobre o TA. Médio (E. e BP.) através do ciclo T´CHENG e, em segunda instância, sobre P. através do ciclo WU, ou vice-versa, em função da diátese prévia.  

Se devido às causas congênitas ou adquiridas existe déficit prévio de E. e BP., produzirá um T´CHENG ou invasão gastro metabólica e imunológica (ação do BP. na   formação diferenciada de linfócitos), dando lugar a dois grandes sinais do Lúpus: gastropatias (anorexia, gastralgia, úlceras bucais, etc.) (ver semiologia), e alterações   do tecido celular subcutâneo, tecido de sustentação e serosas (pleurites, pericardites, bursites, etc.).

 

3º FASE - ALTERAÇÃO DO TAI YIN SUPERIOR (P.).

A deficiência prolongada do TA. Médio (origem do Jing adquirido) leva à deficiência do P. (a mãe não pode nutrir o seu filho) e a um esgotamento precoce do R-Yang (o P. é o dínamo e o R.-Yang a bateria), dando lugar a outro dos sinais cardinais da enfermidade, como a Astenia progressiva durante o dia (“esgotaram as pilhas”, dizem os pacientes).

Nesta fase aparecerão sinais dermatológicos associados a calor-secura-fogo internos (erupções discoides queratinosas) de tipo psoríasico e eczematoso, eritema malar em forma de asas de mariposa, foto reação, etc.

 

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